top of page
moqueka

Por onde vi - Avatar merece os cinemas

"Às vezes a vida é como um túnel escuro, nem sempre podemos ver a luz no fim, mas se apenas continuarmos, chegaremos a um lugar melhor" - Iroh
Arte de imagem promocional do filme  A Lenda de Aang: O Último Mestre do Ar, sendo exibido no cinema
Arte por Roger Caroso

Observando os desdobramentos das últimas semanas, um dos temas que mais vem chamando minha atenção é a movimentação dos fãs em prol do respeito à obra que amam, neste caso, Avatar.


Há cinco anos, foi anunciado que Aang e seus companheiros ganhariam uma sequência direta de suas aventuras, agora já adultos. Intitulado A Lenda de Aang: O Último Mestre do Ar, o longa-metragem teve a notícia recebida com muita felicidade pelo público, já que o último conteúdo animado desse universo havia sido A Lenda de Korra (2012-2014).


O retorno de Aang, Katara, Sokka, Toph e Zuko, do clássico Avatar: A Lenda de Aang (2005-2008), representa um reencontro nostálgico para toda uma geração que cresceu assistindo à série, reverenciada até hoje como uma das melhores animações já produzidas no Ocidente.


Planejado para ser lançado nos cinemas em 2025 e posteriormente adiado para 2026, o filme ainda não contava com uma grande campanha de marketing e divulgação. Ainda assim, todas as vezes em que citei essa produção para pessoas que eu sequer imaginava serem ligadas à obra, percebi muito entusiasmo.


Aang, Katara, Toph, Zuko, Soka e Tagah em  A Lenda de Aang: O Último Mestre do Ar
Reproducao: Paramount/Nickelodeon

Só que tudo isso mudou quando a Paramount atacou. Em dezembro do ano passado, a empresa anunciou que a obra, que custou aproximadamente 80 milhões de dólares, não estrearia nos cinemas, mas sim no streaming Paramount+.


A notícia foi um balde de água fria não só para os fãs, que sonhavam com uma representação cinematográfica digna após o fiasco de O Último Mestre do Ar (2010), de M. Night Shyamalan, mas também para a própria equipe do filme.


Em março deste ano, Lauren Montgomery, diretora do novo longa, fez um apelo nas redes sociais sobre a estreia. “A decisão de transferir o filme dos cinemas para o streaming pode dar a impressão de que a qualidade não era suficiente para o circuito comercial, mas isso não poderia estar mais longe da verdade. Esse filme merece ser visto nas telonas!!!”, afirmou.


A declaração é forte e os fãs definitivamente concordaram. Diversas campanhas pedindo o lançamento original nos cinemas começaram a surgir, mas uma delas foi ainda mais longe: há pouco mais de um mês, no dia 13 de abril, o filme completo e em alta definição foi vazado na internet.


O ato de rebeldia contra o “rebaixamento” do filme tomou conta das redes sociais, com imagens, clipes e até links para assistir ao longa, o que automaticamente gerou enorme repercussão na mídia e na comunidade da franquia. Uma estimativa pouco confiável apontou que aproximadamente 15 milhões de pessoas já teriam assistido à obra, algo, no mínimo, catastrófico para a Paramount.


Por mais que a ação tivesse a intenção de apoiar o trabalho de quem participou da produção e desejava o lançamento nos cinemas, trata-se de uma atitude drástica, que poderia trazer desdobramentos muito pesados para a equipe envolvida. Uma das animadoras do projeto, Julia Schoel, publicou uma mensagem repreendendo a divulgação ilegal do material: “A péssima decisão da Paramount de não lançar o filme nos cinemas não justifica o vazamento. Isso é desrespeitoso com o trabalho duro dos artistas envolvidos”.


Outros membros da equipe, incluindo Henry Thurlow, Ilkwang Kim e Tessa Bright, afirmaram que o vazamento privou os criadores do marco profissional de uma estreia formal e pediram que os fãs aguardem o lançamento oficial para apoiar os esforços da produção.


Obviamente, em seguida, o responsável pelo vazamento foi preso. Um singapurense de 26 anos, que agora pode pegar até sete anos de prisão e/ou pagar uma multa de 50 mil dólares, consequências também catastróficas para ele. Mas quem sabe esse apelo, esse “canto do cisne” do suposto justiceiro, não tenha acendido a chama que o público precisava?


Foto das séries Avatar Seven Heavens e A Lenda de Korra
Reproducao: Paramount/Nickelodeon

O fato é que, depois desse vazamento, todo o universo de Avatar voltou a ser tendência e a gerar discussões. Os fãs retornaram em peso para falar, ver e rever tudo ligado a esse mundo, não apenas o novo filme. A série de Aang, obviamente, voltou a ser comentada, assim como as amarguradas discussões de muitos sobre as mudanças promovidas em Korra também voltaram. Porém, ainda mais importante: começaram a falar sobre Pavi.


Isso mesmo, a dobradora de terra Pavi, protagonista de Avatar: Seven Heavens, nova série anunciada em fevereiro de 2025, durante as comemorações dos 20 anos da franquia. A trama se passa após o período de Korra, em um mundo completamente transformado depois de uma catástrofe (ainda misteriosa para o público) que destruiu as quatro nações.


Inicialmente, a série terá 26 episódios, divididos em duas temporadas de 13 capítulos cada, e as previsões apontam que o lançamento não acontecerá antes de 2027. A produção está sendo desenvolvida por Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino, criadores das duas séries anteriores.


Sobre o filme, quem já assistiu à versão vazada provavelmente não irá revê-lo no streaming, isso é certo. Por outro lado, é possível que muitos acabem se interessando em prestigiar a obra nos cinemas. Com uma boa campanha de marketing e as opiniões positivas de quem já viu o longa, talvez fosse possível transformar essa repercussão em uma exibição cinematográfica rentável e positiva para os envolvidos, diferente do descarte online que deve acontecer em outubro.


Bom, se a Paramount vai ou não voltar atrás na decisão sobre o lançamento, ainda não sabemos. Sim, é improvável. Mas não custa analisar a força que o vazamento trouxe para a comunidade e todo o burburinho gerado em torno desse universo. Para este que vos fala, a torcida segue pela estreia nos cinemas, para finalmente assistir e dizer Por Onde Vi










Comentários


bottom of page