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moqueka

Cinema enjoa, né?

Cinema

Para quem gosta de assistir filmes, ir ao cinema é sempre um evento com uma importância muito grande. Não que esse prazer não possa ser compartilhado pelo público geral, mas é um momento alí particular de quem ama aquilo. O som, a projeção, os planos. Papo de nerd, não é? Eu sei, eu sei. Tem uma coisa, porém, que independe desse interesse prévio. Você já enjoou assistindo a um filme? Pois bem, eu já.


Era um daqueles dias de trabalho em que nada escandaloso tinha acontecido – incomum dentro de uma redação de jornal. A decisão ao fim da jornada foi natural. Em poucos minutos, já estava comprando o ingresso para um filme que não sabia de nenhuma informação. Subi as escadas da sala e sentei na cadeira.


Pouco a pouco, fui sentindo angústia com o que estava sendo mostrado em tela. Entre as últimas cenas, uma decisão da protagonista abalou todos que estavam por alí. Lembro de colocar as mãos na cabeça instintivamente. Olhei ao redor e a reação de espanto tinha chegado para todos. Um momento maravilhoso.


O filme acaba. As luzes acendem. Algo estava diferente. O mundo tinha perdido o seu equilíbrio. Tudo girava, não de forma preocupante, mas um leve desvio na trajetória natural das coisas. No caminho de volta para casa e até mesmo com a cabeça no travesseiro, esse sentimento me acompanhou. Quase como um lembrete de não esquecer daquele filme. Funcionou.


No início de cada ano, sempre fazemos metas que ocasionalmente cumprimos. Odeio essas falsas promessas. Porém, cometi o erro de tentar engatar uma sequência de filmes. Um por dia. Comecei bem e assisti a alguns muito bons, mas a frequência foi diminuindo e passei mais de um mês sem assistir a nada. 


Tirando todas as outras ocupações da vida real que explicariam esse hiato, enfim voltei a uma sala de cinema. Entendi, de uma vez, que a magia dos filmes está totalmente relacionada com o local. Minha casa tem seus confortos, mas não tem essa capacidade de me enjoar, de me fascinar. Em um momento de perda do prazer, o amor volta quando algo importante é lembrado. Não se ama por motivo, ama porque sente.


Lembro de ir sozinho ao cinema assistir a um filme que não fazia ideia do enredo. Tinha apenas a noção de que estava concorrendo ao Oscar. Sendo o único na minha fileira, chorei e sorri com coisas simples. Engraçado compartilhar esses sentimentos com amigos e ouvir deles a mesma coisa sobre o mesmo filme. Todos vimos no cinema.


Cinema enjoa, né? Acho que não.


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