CRÍTICA | Super Mario Galaxy é o fruto da indústria cultural
- Vitor Rocha

- há 11 horas
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Na metade do século XX, o sociólogo Theodor Adorno já apontava como a indústria cultural age para padronizar as obras de arte, transformando-as em produtos de escala massiva. Desta forma, o encontro do espectador com as produções passa a ser igual ao de um cliente consumindo um produto na prateleira do mercado.
Super Mario Galaxy: O Filme é um bom exemplo do resultado do modus operandi da indústria cultural. É, assumidamente, um produto para os fãs dos jogos. O longa-metragem se sustenta a partir de easter eggs, referências às outras mídias da franquia, o famoso "fan service". É a fórmula que vem sendo seguida a rodo por todas essas franquias grandiosas que têm uma legião de fãs e décadas no mercado.
Isto posto, não é correto julgar o novo filme dos irmãos encanadores como "café com leite". Se está no cinema, julguemos como tal. Nessa perspectiva, Super Mario Galaxy: O Filme, infelizmente, não tem muito a oferecer.
Estruturalmente, o filme é como se fosse um jogo mesmo: os personagens lutam ou atravessam obstáculos e passam de fase sucessivamente para resgatar a princesa — desta vez, Rosalina — dos koopas.

Formalmente, tudo soa esquemático demais, desde as viradas dramáticas sem peso algum dentro da narrativa até o enredo familiar genérico, gerado por laços profundamente artificiais entre as personagens. Não é sobre o enredo ser simples, já que é possível uma obra ser simples e possuir um lastro dramático notável, é sobre ser preguiçoso.
A animação é tecnicamente competente, mas também sem nenhum aspecto marcante que salte aos olhos. É o básico para um filme que custou 110 milhões de dólares não ser feio.
Neste sentido, o filme é uma demonstração clara do “homem como ser genérico”, descrito por Adorno. Isto é, o filme do Mario e um filme da Marvel, por exemplo, podem parecer diferentes à primeira vista, mas operam sob a mesma lógica: o culto e a nostalgia de si mesmos. No entanto, mais do que isso, são produtos que organizam a experiência do espectador em torno do reconhecimento imediato (easter eggs, afetos sinalizados o tempo todo, piadinhas autoconscientes, etc.), já indicando como ele deve reagir a cada momento.

Não há muito espaço para uma experiência singular, porque tudo já vem meio pronto. O homem é genérico na indústria cultural não apenas por ver coisas parecidas, mas por ser levado a consumi-las do mesmo jeito também. Este é o caso do novo longa-metragem do personagem da Nintendo.
Obras como Super Mario Galaxy: O Filme não propõem nada, só saúdam o que já foi feito antes de si mesmas. Para mim, nada que é tão inócuo internamente pode receber algo além da indiferença.
Nota: 2/5


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