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CRÍTICA | O Fim da Rua e o pesadelo dos vizinhos jurássicos

Quatro pessoas sérias em um carro antigo, vistas pelo para-brisa, com clima tenso e tom sépia.

A ficção científica no cinema frequentemente explora os limites do surreal e da imaginação humana. Nesse cenário, a sétima arte busca inovar, mesmo quando revisita temas clássicos para impressionar o público. É o caso das produções com temática jurássica, um subgênero que, desde os grandes sucessos das franquias Jurassic Park e Jurassic World, raramente havia ganhado novas abordagens de tanto destaque nas telonas.


Ambientada nos anos 1980, a nova trama acompanha o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor), que enfrenta uma crise no relacionamento enquanto tenta gerenciar a rotina com os dois filhos adolescentes. A dinâmica da família Platt, no entanto, sofre uma grande reviravolta quando um misterioso evento cósmico abala o subúrbio de Oak Street. Abruptamente, uma tempestade transporta toda a vizinhança pelo tempo, jogando-os diretamente na era dos dinossauros.


Perdidos em um ambiente hostil e irreconhecível, eles se veem completamente isolados. Agora, os quatro serão forçados a superar suas diferenças e cooperar para sobreviver aos perigos pré-históricos. Em uma jornada repleta de ação e emoção, a família logo descobre que a chave para escapar dessa realidade e conseguir retornar ao ano de 1980 dependerá, acima de tudo, da união de todos.


Em comparação com outras obras, a construção de O Fim da Rua, trabalho do diretor David Robert Mitchell, se destaca por transformar a clássica aventura de sobrevivência em um thriller inventivo, ou seja, trazer o “terror jurássico” para um ambiente puramente suburbano. Em vez de apelar apenas para o óbvio cenário de selvas inexploradas, a direção corrompe a normalidade e a segurança de uma pacata vizinhança.

Bairro suburbano com casas, carro e ônibus amarelo à beira de um enorme penhasco, com floresta abaixo.
Reprodução/Warner Bros. Pictures

O longa, desde sua virada, entrega um trabalho visual muito assertivo ao detalhar todos os aspectos dos dinossauros, buscando apresentar os animais sob um olhar mais assustador e realista. É justamente essa escolha subversiva que dita o tom da obra, provando que a verdadeira eficácia da tensão nasce ao colocar os monstros pré-históricos batendo diretamente na porta de casa.


Quem procura autenticidade na criação dos dinossauros ficará impressionado com o CGI. Todas as criaturas se integram à narrativa como se não fossem distantes das aves e dos animais de hoje. Em comparação com outros filmes, é evidente o cuidado especial e o estudo detalhado da produção para se aproximar ao máximo dos animais.


Mesmo assim, nem tudo são flores. A narrativa peca ao entregar soluções rápidas para que os personagens resolvam o problema durante o clímax. Isso pesa no tom do filme, fazendo com que o que deveria ser uma proposta corajosa se transforme em um clichê covarde ao não abraçar o que a própria obra construiu ao longo da trama.

Dinossauro gigante ruge enquanto duas crianças correm em frente a casas suburbanas ensolaradas.
Reprodução/Warner Bros. Picturesf

O Fim da Rua entrega uma experiência bastante divertida, apostando em um ritmo direto ao ponto e sem enrolações. A dinâmica construída entre os membros da família Platt se mostra interessante, servindo como a principal base para sustentar o bom mistério criado acerca da ameaça dos monstros pré-históricos. Ao focar na interação dessas pessoas frente ao perigo que cerca a vizinhança, o longa consegue prender a atenção e manter a energia da aventura. 


Além disso, mesmo com as falhas e atalhos percebidos no desenrolar do roteiro, o filme consegue propor e executar o que tem que ser feito na tela. Superando suas próprias soluções fáceis de narrativa, a obra entrega um sci-fi intrigante e de mente aberta em sua criatividade, garantindo um entretenimento que repensa as bases do gênero com ousadia. Nota: 3/5 🦖🏘️🦕


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