Retorno do Gamepólitan: Festival reaquece cena de jogos em Salvador
- Moqueka
- há 27 minutos
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Após seis anos de hiato, evento volta a ser vitrine para desenvolvedores locais e ponto de encontro para comunidades que mantêm a cultura pop viva na capital baiana.

Após uma pausa de seis anos, o Gamepólitan está de volta, prometendo resgatar e fortalecer o cenário de jogos e cultura lúdica na capital baiana. Para entender os impactos dessa ausência e as expectativas para a retomada, Silvani Neri, produtora e curadora de conteúdo do evento, detalha a importância do festival não apenas como entretenimento, mas como um "articulador e transformador" da cena local.
Durante o período em que o evento esteve suspenso, agravado pela pandemia, a falta de um ponto de encontro físico deixou lacunas significativas no setor. "Alguns influenciadores e streamers que acompanhamos pararam de produzir conteúdo por não terem espaços como o festival", explica Silvani.
Ela compara o Gamepólitan a uma "mostra de cinema", mas voltada para os games, operando como uma vitrine essencial para que os desenvolvedores façam suas obras chegarem ao grande público e fomentem a inovação na cidade.
Curadoria feita por quem joga
A relação com os desenvolvedores independentes e programadores iniciantes é um dos pilares do evento. Segundo a curadora, o fato de a equipe organizadora ser composta por jogadores facilita a seleção das atrações e a montagem dos espaços de teste.
Para que o público consiga experimentar o máximo possível, a curadoria prioriza, por exemplo, títulos de curta duração, evitando que uma única fase extensa retenha o visitante. "A gente sabe bem o que funciona ou não para a experiência de um festival como esse", garante.
Ao abordar a percepção de carência de eventos voltados ao público geek e otaku em Salvador, Silvani faz questão de mapear o cenário atual, destacando que a cidade vive um momento de fortalecimento. Ela explica que o Gamepólitan foca estritamente em games e cultura lúdica, o que abrange jogos de mesa, cartas, RPG e processos de gamificação, enquanto outras vertentes têm suas próprias casas.

O Anipólitan, festival irmão focado em cultura asiática e que já soma 23 anos de história, tem seu retorno confirmado, mas ainda sem data definida. A produtora responsável pelo Gamepólitan também assina o Espaço Jovem do Bon Odori. O evento tradicional, organizado pela ANISA (Associação Nippo-Brasileira de Salvador), é considerado pelo embaixador do Japão no Brasil como o maior do tipo no país. "Meio que tá todo mundo em casa. A gente aqui na Bahia tá com tudo", celebra Silvani.
Mais do que atrair o público geral, o festival consolida o trabalho de nichos específicos. O próprio Gamepólitan nasceu como um spin-off do Animepolitan, impulsionado pelo crescimento orgânico da área de jogos.
Hoje, espaços do evento dedicados a streamers e a testes de jogos independentes refletem a evolução desses grupos soteropolitanos. "Muitas dessas comunidades foram se juntando, se transformaram em empresas e hoje prestam serviço para o nosso festival organizando essas atividades", conta a produtora. "Elas já se encontram ao longo do ano e ficam na expectativa: quando é que vai ter o Gamepólitan para a gente passar três dias juntos celebrando e jogando?".
