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CRÍTICA | Toy Story 5 não cansa de brincar nas telonas


A infância é uma das fases mais importantes na formação de um ser humano, pois é nela que muitos dos aprendizados para o futuro são colocados em prática. É nesse período que a criança desenvolve a leitura, a escrita, a coordenação motora, a compreensão dos sentimentos, a imaginação e os diversos tipos de pensamento. Além disso, o ato de brincar destaca-se como um dos aspectos que mais gera interação social entre as crianças, os objetos e os seres ao seu redor. Por meio dessa ação, elas desenvolvem a capacidade de criar, imaginar e se expressar. Ao crescerem, essa fase se torna pura nostalgia — um sentimento muito bem retratado na franquia Toy Story, que desde 1995 vem moldando o cinema de animação e relembrando o poder que um brinquedo tem na vida de uma criança em plena formação.

Toy Story 5 é um bom filme?
Reprodução/Walt Disney Studios Motion Pictures

Em Toy Story 5, sob a direção de Andrew Stanton, a clássica turma de brinquedos enfrenta um novo e moderno desafio: a era digital. Aos oito anos, Bonnie fica completamente fascinada por um tablet e pelo Lilypad, um dispositivo capaz de criar universos virtuais envolventes que capturam toda a atenção da menina. Conforme ela deixa seus antigos parceiros de lado, uma crescente angústia toma conta do quarto, mesmo com Jessie tentando ao máximo manter a esperança e a união do grupo. Para ajudar os amigos a superar essa fase crítica, o eterno líder Woody retorna à história, trazendo toda a sua experiência para guiá-los diante dessa nova realidade. Junto com Buzz Lightyear e o resto da equipe, ele embarca em uma jornada emocionante sobre adaptação. A trama traz uma mensagem profunda ao mostrar que é possível equilibrar a brincadeira tradicional com a inovação, deixando também uma reflexão importante sobre os impactos do tempo excessivo em frente às telas e o risco de o afeto real se perder no distanciamento virtual.

Brincar vs Teclar 

Toy Story 5 quem é a vilã
Reprodução/Walt Disney Studios Motion Pictures

Sem dúvidas, o novo longa dirigido por Andrew Stanton — responsável pelo quarto filme e pelo derivado do Buzz Lightyear — mostra-se confiante ao apresentar uma nova história com os personagens já conhecidos pelo público adulto e infantil. O quinto filme, além de trazer um sentimento nostálgico, relembra-nos a todo momento o significado de brincar e como essa essência vai se perdendo com o passar dos anos. Um dos pontos centrais da narrativa é como a evolução tecnológica separou não apenas os brinquedos, mas também as relações sociais: seja das crianças entre si, seja dos adultos com os filhos, devido ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos.

Assim como as fábulas tradicionais, as animações recentes vêm se enriquecendo e tornando suas mensagens mais fortes e visíveis. Enquanto em algumas obras essa crítica ainda surge de forma subentendida, a Pixar opta por um processo aberto e direto neste novo longa. Mesmo recorrendo a certos clichês, o filme demonstra maturidade ao dar destaque e protagonismo a uma nova personagem nessa aventura.

Toy Story 5 utiliza a transição dos brinquedos clássicos para os dispositivos digitais como uma metáfora perfeita para o isolamento contemporâneo. Ao confrontar a nostalgia da infância pura com a frieza das telas, através da sua vilã. A animação brinca ao fazer o entretenimento se tornar um alerta necessário aos pais. A maturidade da obra reside justamente em nos lembrar que, embora a tecnologia avance, a necessidade humana de conexão real, toque e imaginação permanece insubstituível.

 O brinquedo e sua validade 

Jessie em Toy Story 5
Reprodução/Walt Disney Studios Motion Pictures

Trazendo para o universo dos brinquedos, o filme não se limita a explorar e trazer coisas novas, mas também relembra o passado dos personagens já conhecidos. Um exemplo disso é a personagem Jessie, que acaba relembrando seus traumas passados e tendo que superá-los ao longo da narrativa. Além disso, devido aos acontecimentos do quarto filme, um dos momentos mais icônicos é poder rever a dupla Buzz e Woody em ação, sem dúvidas um dos pontos altos da produção.

Mesmo com um roteiro simples e direto, Toy Story 5 bebe da mesma fórmula que sempre dá certo: além de emocionar, ele diverte o público e instiga a nostalgia de quem cresceu assistindo à franquia. Outro ponto levantado na animação é o questionamento sobre se os brinquedos têm validade, já que a área da tecnologia vem avançando e deixando as pessoas mais conectadas virtualmente, mas afastadas da realidade. O filme apresenta a Lilypad com um poder absurdo nas mãos, descrevendo de forma metafórica como a tecnologia consegue nos manipular e fazer com que hábitos artificiais se tornem normais em nosso cotidiano.

A melhor dupla de Toy Story 5
Reprodução/Walt Disney Studios Motion Pictures

Dessa forma, a produção utiliza o amadurecimento de seus protagonistas e os novos dilemas modernos para refletir sobre a transição geracional. Assim, a narrativa equilibra o saudosismo clássico com as inquietações contemporâneas, encerrando esse núcleo de discussão ao mostrar que o valor do afeto ainda resiste frente às transformações tecnológicas.

Veredito 

Toy Story 5 é uma carta de carinho aos fãs mais velhos, sem deixar o público infantil de lado. A obra abraça o seu legado sem perder a nostalgia, mostrando-se engraçada, emocionante e enriquecedora. Mesmo com um roteiro previsível, o filme preenche as lacunas e fortalece ainda mais a transição dos protagonistas humanos, além de estreitar a relação entre os brinquedos antigos e novos.

O protagonismo feminino em Toy Story 5
Reprodução/Walt Disney Studios Motion Pictures

Por mais que a tecnologia avance e as crianças cresçam, o ato de brincar nunca perderá a validade; afinal, um brinquedo sempre pode encontrar novos caminhos a trilhar. Portanto, deixe as dúvidas de lado e, se tiver a oportunidade de assistir ao novo filme, vá ao cinema, já que o resultado final desperta apenas o gostinho de querer brincar novamente. Nota: 3,5/5 🚀🐴👢


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